sexta-feira, maio 19, 2006

Nota Pessoal:
Refletindo e abstraindo os comentários sobre o post mais recente, confesso ter “sabotado” (parafraseando Camila) demasiadamente meus textos. Sou e sempre fui muito exigente com o resultado do meu trabalho. Essa auto-crítica desmedida tem me causado uns certos”desarranjos”; sensação de impotência e complexos. Possuo uma mania de perfeccionismo um tanto incomum. Exemplificando... Chego a escrever uma mesma palavra repetidas vezes, apenas por julgar a caligrafia esteticamente fora de meus padrões. É doentio mesmo! Rs. Entretanto, essa busca por perfeição não se aplica a todas as esferas da minha vida; Sou extremamente desorganizada, muito pouco vaidosa, desleixada ao me vestir (aparência é irrelevante a mim), e desprendida materialmente (traduzindo: perco coisas com freqüência; se emprestei, não cobro, porque não lembro; se tomei emprestado, não devolvo porque também já foi esquecido, me cobrem!)
Não desejo mais exigir tanto de mim, tampouco importar-me com julgamentos alheios. Afinal futuramente farei cálculos, não textos... O fato de escrever deve ser encarado como prazer e exercício, sem martírio ou obrigação, pois apenas gosto de ler e também tenho gostado de ecrever.
Tentarei não imprimir minhas inseguranças nos próximos posts... Meus super agradecimentos! Amo todos vocês!!!






Texto:
Lendo um dos textos postados no blog de Raphael ( vulgo Hellkiller, Hellover e mais uma infinidade de outros apelidos...rs), atentei-me para algumas citações por demais interessantes e reflexivas de Voltaire. Às voltas com pesquisas, vida e obra, deparei-me com um texto de cunho filosófico intitulado “Mênon ou a sabedoria humana”. Inicia-se:
“Mênon concebeu um dia o projeto insensato de ser perfeitamente sábio. Não existe nenhum homem ao qual essa loucura não tenha, algumas vezes, passado pela cabeça”.
Mênon não pôde concluir seu projeto, fracassou no cumprimento de todas as metas as quais havia traçado para si. Fundamentalmente descobriu quão impossível ser perfeitamente hábil, perfeitamente forte, perfeitamente poderoso, perfeitamente feliz.
Sabedoria não é palpável ou mensurável... Apenas conjunto de todas experiências boas e más, vividas e pensadas sob uma lógica de aprendizagem e aprimoramento. Como Locke, penso que a mente humana é como páginas em branco, na qual vão sendo escritas experiências ao longo de nossa existência. A capacidade de conhecer é inata, mas todo o conhecimento é adquirido pelos sentidos, portanto, a experiência sensível deve ter primazia no conhecimento.
Eu, pobre mortal imperfeita que sou, duas décadas ainda incompletas de vida, poderei saber tudo? Não, nem desejo tal feito. Quero aprender, reciclar, errar e mudar.

terça-feira, maio 09, 2006

Visto que somente meus amigos e entes mais próximos lerão essas palavras. Contando que são poucos e verdadeiramente, assim prefiro. Esse post será mais um desabafo e uma descrição da minha pessoa, como alguns que o sucederam. Pois sempre que não há nada a fazer, me prostro sobre o caderno e escrevo banalidades. Talvez não tenha nada a criticar porque não julgo ou tenho preguiça de julgar. A maioria dos livros que leio contém fatos históricos e acontecimentos políticos dos quais retiro a essência ideológica, sem reflexão profunda. Não me atingem subjetivamente. Entretanto, admito não ser tarefa fácil tocar-me o emocional. Eu vivo para mim, para as coisas que me dão prazer e para sensações que me confortam.
Sou flexível no tocante a ideais, opiniões alheias, sendo convencida facilmente por um bom argumentador. Porém essencialmente, minha personalidade ou a falta dela, é imutável. Isso faz parte do que eu sou, do que me torna feliz.
Importo-me sim, com a opinião alheia, importo-me com o sofrimento que causo. Quase nunca externo o que sinto. Sou corporalmente transparente, não sou boa com as palavras, principalmente as fonadas, portanto não tomo iniciativa. Não sou carente, prefiro ouvir a falar, salvo os momentos de embriagues. Um olhar me basta, um abraço me conforta. Detesto discutir relação, quaisquer que sejam elas e não gosto de conselhos, de dar nem receber.
Admito ser uma egoísta convicta. Não quero viver muito, quero viver bem. Sem padrões sociais, morais, religiosos, não me encaixo. Não desejo ser marionete, espectadora da vida.
Ultimamente tenho escutado com freqüência uma música. Confesso que na primeira vez que a ouvi, ocasionalmente, não prestei atenção no que ela tinha a me dizer. Coincidentemente, ou não, tornei a ouvi-la, ao acaso, mais duas ou três vezes. Pensei, por quais motivos isso teria acontecido? Conclui, não os tenho! Porém me despertou pra algo que precisava saber...



Quase sem querer
(Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha)

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso.
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo
E tão contente.
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira.
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito:
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos.
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você saber
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.

• Ao Márcio, Raphael e Laura, freqüentadores e comentaristas mais assíduos do blog, minhas desculpas sinceras por todas essas linhas em primeira pessoa, demasiadamente cansativas.
• E aos curiosos anônimos, visitem também os blogs que seguem , ele sim, tem algo a dizer...
http://www.laurafialho.blogspot.com/
http://www.hellkiller.blogger.com.br/

quarta-feira, maio 03, 2006

“O medo é ambíguo. Inerente à nossa natureza, é defesa essencial, uma garantia contra os perigos, um reflexo indispensável que permite ao organismo escapar provisoriamente à morte”.
Jean Delumeau

Desertando sobre tal sentimento, sensação física ou simplesmente instinto, Delumeau descreve um tanto quanto objetivamente o medo. A mim, parece mais complexo, visto que química cerebral antepõe meus sentimentos. Ou será o contrário? Somente tenho medo de sentí-los...
O que é medo? Será algo imposto por nosso subconsciente para frear os nossos impulsos de mudanças.
Por que será que temos tanto medo de agir e interagir?
Temos medo de tudo!
Medo de olhar na pupila de um olho, medo de fazer mudanças... Tanto no social, na vida, no ego.
Medo de opinar, medo de errar, medo de sentir-se inferior, medo de politizar-se, medo de enfrentar os obstáculos cotidianos, medo do próprio medo, medo de amar.
Medo de gritar, de pular e de, mais uma vez, mudar.
Medo de perder.
O medo, muitas vezes, nos impede de sermos felizes. Quem teme está sempre de coração amargo.
O medo é uma fábrica de incapazes. Impõem o medo na gente, desde criança. A partir do momento em que nos impõem limites, crescemos limitados em nosso pensamento, com medo de que se possa ofender alguém.
Digo também que o maior medo que possuímos é o medo do que é novo. Medo de começar tudo novamente, medo de socializar, de mudar um país. Pois oportunidades temos, mas aos mesmos homens entregamos nossa pátria.
Desculpem-me, vou parar.
Chegou alguém.
Estou com medo que descubram que tenho afinidade com a literatura...